3 DE OUTUBRO DE 2025
O governo de Cuba impôs novas restrições ao acesso à internet, com aumento de tarifas e limitação do volume de dados por usuário. Em meio à crise econômica, a conectividade tornou-se ainda mais inacessível, afetando milhares de cidadãos e o trabalho das igrejas no país. A medida foi anunciada em maio de 2025 e incide diretamente sobre um recurso que se tornou essencial para a atuação da igreja. Em um contexto de censura e isolamento geográfico, as ferramentas digitais figuram como canal central de comunicação.
Segundo a missão Portas Abertas, milhões de cubanos perderam o acesso à internet sem aviso prévio após a estatal de telecomunicações ETECSA começar a restringir as cotas de dados vendidas em moeda local. O sistema passou a operar em formato semelhante a planos pré-pagos. Cada pessoa pode adquirir 6 gigabytes por 360 pesos cubanos (aproximadamente 15 dólares). Para obter dados extras, é necessário pagar em dólar — 3 gigabytes adicionais custam 140 dólares —, e, quando a franquia termina, não há possibilidade de reconexão até o mês seguinte.
“A internet se tornou vital para nosso ministério e, de repente, foi cortada sem aviso. Desde que esse novo sistema de cotas começou, está difícil continuar nosso trabalho”, disse Liliana*, líder cristã, à Portas Abertas. Ela relatou que, assim como muitos pastores, utiliza a internet para preparar pregações e manter contato com os membros da igreja. A limitação no acesso interfere na rotina ministerial e na assistência espiritual oferecida à comunidade.
O impacto é mais severo em áreas rurais, onde distâncias longas e falta de transporte eram compensadas pelo uso de ferramentas digitais. Organizar atividades, compartilhar a Palavra de Deus e manter a comunicação tornou-se um desafio adicional. Em diversas regiões, as restrições motivaram protestos, mas a resposta oficial não solucionou o problema. As autoridades afirmaram que a medida busca garantir a “sustentabilidade do serviço”.
“Eles aprovam essas leis porque têm medo de perder o controle. Muitos sites já são bloqueados em Cuba”, afirmou Edward*, outro líder cristão. Além do ministério, a internet é crucial para a vida familiar. Cerca de dois milhões de cubanos vivem fora do país e dependem da conexão para falar com parentes. Diante do aumento do controle digital, do monitoramento e da pressão econômica, parte da liderança cristã considera que o silêncio pode deixar de ser uma opção, embora a maioria evite se envolver em questões políticas.
Desde 1959, o Partido Comunista governa Cuba e mantém forte controle sobre a igreja. Líderes que criticam o regime relatam interrogatórios, prisões, campanhas de difamação, restrições de viagem e, em alguns casos, violência física e danos a templos. Familiares de lideranças também enfrentam ameaças, inclusive risco de perda da custódia dos filhos. Em muitas ocasiões, o governo recusa o registro de novas igrejas, levando congregações a operar de forma não oficial e a ficarem vulneráveis a multas, confisco de propriedades e demolições.